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Técnicos de Saúde travam mortalidade

01-09-2015

A falta de interesse pelas consultas pré-natais e a gravidez precoce são as principais causas de mortes registadas na maternidade do Hospital Provincial do Bengo, em Caxito, no primeiro semestre deste ano.

A unidade, que precisa de mais médicos, recorre a palestras e às parteiras tradicionais para dar esclarecimento sobre a importância do acompanhamento médico durante a gestão e após o parto.
A maternidade do Hospital Provincial do Bengo registou no primeiro semestre deste ano 73 nados-mortos em 1533 partos, disse ao Jornal de Angola a chefe daquela instituição, Delfina de Andrade.
Dos partos realizados, mais 82 que no mesmo período de 2014, 197 aconteceram por cesariana. Três parturientes perderam a vida por complicações pós-parto devido a hemorragias, placenta prévia e rotura uterina.
A responsável clínica referiu que “muitas parturientes que chegam à maternidade num quadro de pré-eclampsia (problemas com a pressão arterial alta), o que obriga a uma intervenção cirúrgica de urgência”.
Delfina de Andrade disse ainda que, durante o primeiro semestre, foram realizados 476 partos a raparigas com idade entre 12 e 20 anos.
A chefe da maternidade sublinhou que a falta de adesão às consultas pré-natais e a chegada tardia das gestantes às unidades sanitárias foram as principais causas de mortes materno-infantis no primeiro semestre.

Riscos da gravidez precoce

A médica Delfina de Andrade referiu que um número considerável de adolescentes grávidas teve diversas complicações durante o parto devido à imaturidade dos órgãos reprodutores.“O número de adolescentes que ficam grávidas na nossa província é preocupante, uma vez que elas ainda não estão preparadas psicologicamente para cuidarem de um novo ser”, enfatizou.
“Muitas são as jovens que aparecem aqui na consulta pré-natal sem qualquer noção do que é uma gravidez e os cuidados que devem ter durante a gestação”, disse.
Para a chefe da maternidade, o número de gravidezes precoces na provícia é preocupante e deve mobilizar a atenção das famílias. “A maioria das meninas que engravidam abandonam os estudos porque têm de ficar em casa a cuidar do bebé”, referiu.
O Jornal de Angola constatou que, em muitos casos, as adolescentes nessa situação voltam a engravidar antes de atingirem a idade adulta, seja por incumprimento das orientações médicas sobre o planeamento familiar, seja pela imposição feita pelas famílias que levam a casamentos e a uniões de facto sem a devida preparação.

Consultas pré-natais

A chefe da maternidade do Hospital Provincial do Bengo disse que aquela unidade realiza consultas de ginecologia e pré-natais das 8 às 15h00, sempre acompanhadas por um especialista.
A maternidade atende por dia 20 pacientes nas consultas pré-natais, 50 no banco de urgência, 10 de pós-parto e igual número de planeamento familiar e no bloco operatório.
A maternidade possui quatro obstetras, dois cubanos e igual número de vietnamitas, número considerado reduzido pela responsável, que pediu a colocação de mais quatro especialistas na unidade para atender às necessidades.
Delfina de Andrade afirmou ser necessário persuadir as mulheres grávidas a aderirem às consultas pré-natais, porque a maioria realiza uma única visita médica durante o período de gestação e no dia do parto muitas apresentam dificuldades por falta de acompanhamento.
Apelou também aos órgãos de comunicação social na província do Bengo para que contribuam para a transmissão de informações às comunidades, sobre a importância das consultas pré-natais, de modo a evitar mais problemas para a saúde da gestora e do filho.

Parteiras tradicionais

Delfina de Andrade reconheceu o papel desempenhado pelas parteiras tradicionais que, além da realização dos partos nas comunidades distantes dos hospitais, têm a missão de educar as parturientes para efectuarem com regularidade as consultas pré-natais.
A chefe da maternidade do Hospital Provincial do Bengo revelou que muitas mulheres concebidas têm os partos em casa, sem as mínimas condições, e só quando encontram problemas recorrem aos hospitais.
Delfina de Andrade lamentou o facto de muitas mulheres não se fazerem acompanhar do cartão de consulta no dia do parto, para facilitar o acompanhamento da gestante e do embrião por parte da equipa de profissionais, composta por 38 parteiras.
Para contornar a situação, os técnicos da maternidade, que funciona durante 24 horas, têm realizado palestras dirigidas às mulheres antes e pós-parto, no sentido de dar a conhecer as vantagens do acompanhamento pré-natal e do planeamento familiar.
A especialista afirmou que, em termos de equipamentos, a maternidade possui as condições necessárias, com 33 camas distribuídas pela sala do pré-peutério normal, gineco-obstetrícia e toxemia, onde as parturientes repousam após o parto.
A maternidade do Hospital Provincial do Bengo, província com 33016 quilómetros quadrados e 389 mil habitantes, recebe doentes de vários pontos do país, como o Uíge, Cuanza Norte e mesmo de Luanda.

Fonte: Jornal de Angola